3 de agosto de 2016

As Três Marias


Lá se vão as Três Marias. Vão longe, voam, flutuam. Superam a carne. A vida transborda. Tudo é possível. A vida é o milagre mais difícil. Há resistências que não podemos superar. Há fatos. A vida é fato. A vida não é possibilidade, é tão-somente o que acontece. A vida é só o que acontece. E assim é mesmo quando não acontece, e não deixa de ser vida por isso. 

A névoa lhe cai bem, Três Marias. Longe daqui, só há poeira, gases, partículas. O universo se parece com um útero. O seu útero fértil, transbordando de vida. Ele se comunica com o coração, que pulsa por dois. Por duas. 

Lá se vão as Três Marias. Lá se vão, permanecer no firmamento, de onde não lhes podemos machucar. Minhas meninas. Meus amores. Há perdão.

Lá se vão as Três Marias, para não sumir da nossa vista. Para não nos deixar esquecer, assim como o orvalho não se esquece da flor. É o céu que chora por vocês, minhas meninas, minhas Três Marias.

Vê o sol, o mar? Vê a areia da praia, o peixe que nada, a bola que rola, a boca da criança que ri? Foi tudo feito para vocês, Três Marias, minhas três meninas.

Cá embaixo, na mordedura do cotidiano, nós aguardamos seu retorno. Porque a vida é milagre que não arrefece.

Eu vos aguardo, minhas meninas.