5 de fevereiro de 2016

Cheiro de limão

É 2012 de novo. É sufocante. A trilha sonora mudou, mas ela soa a nostalgia. O cheiro é de limão. O cenário é o mesmo. Eu chego, fico.

Mas não é abandono. É só o cheiro do limão. O cheiro do não. O fedor do cigarro na mão.

No mercado, ajo como uma louca ao escolhê-los. Uma atividade tão banal como escolher limões para tomar de manhã pode levar alguém ao desespero, a um desespero útil, que é como uma chave que a vida te dá. Você usa a chave para abrir e dá de cara com a realidade. A lágrima presa na pálpebra faz as vezes de óculos,  deixa tudo mais nítido. Abaixo os olhos, limpo o nariz.

Eu estava sentada nessa cadeira, à esta mesma mesa, defronte este mesmo computador. Você chegou empolgado, com aquele sorriso enorme, cheio de dentes. Suava da pedalada e sempre chegava com a língua pra fora. Mil sacolas para guardar. "Precisamos pegar mais sacolas de plástico", você observou um dia. Andávamos muito ecológicos e já não tínhamos sacolas para usar nas lixeiras. Um problema, realmente.

Neste dia você trouxe muitos limões. Não faz muito tempo, você deve se lembrar. Trouxe os limões mais lindos que achou no mercado, buscou aqueles com a pela mais lisa, mais cheios do bendito sumo. E que lindo foi te ver ansioso para me mostrar os limões, se eles estavam do meu agrado, se você tinha escolhido bem. Eu te dei uma nota 9 e você fez um biquinho. Deveria ter tirado 10, pelo esforço.

Tudo isso não há de ser em vão.



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