25 de janeiro de 2012
8 de fevereiro de 2011
um poema
Meu pai
Que nos fizeste pai
que desuniste
não me lembro de ti
assim belo, meigo, triste
ai de mim!
que fizeste de nós
as três donzelas?
minha mãe era uma delas
minha irmã e eu
e José
o varão que morreu
passaste veloz
pela minha infância
breve paternidade
mas ficou-me um gosto
de pai
na minha tenra idade
e por isso ser mais forte
que o marido infiel
que o pai ausente
olho-te
e vejo o melhor de ti
o mais terno
o mais belo
o pai mais desejado
que pouco vi.
in Fotopoesia, de Isabel Ruth (atriz portuguesa)
3 de outubro de 2010
Eu podia tá matando...

Ontem de madrugada fui assaltada por essa ideia que ilustra a postagem de hoje. Espero somente que um dia essa piada não tenha graça nenhuma. Como não me atentei às datas para transferência de título, infelizmente não vou poder votar nesta eleição, pois meu título é de Goiânia. Queria votar pelo menos pra presidente, porém, vou ter que deixar passar essa vez.
No fim da madrugada, quando estava quase dormindo sentada, terminei o postal, que não ficou impune, pois continha um erro numérico que fazia toda a diferença. Consultei o google para me certificar do art. correto, mas tem horas que a mente simplesmente pára de funcionar. Ainda bem que tenho uma assessoria jurídica infalível e de prontidão. Feito o alerta, foi feita a correção!
Um dia para se lembrar da importância de se escolher bem em quem votar.
14 de julho de 2010
da série "saudade roxa"
o que eu posso dizer?saudade roxa
aponta no peito
e me diz: ai!
eu grito sem fazer barulho
pra não acordar a multidão
e faço poemas pra fazer jus
à minha condição
que não podemos mais tolerar a violência
do homem pelo homem
do homem pela mulher
e da mulher pelo homem
hoje meu sangue é roxo.
dentro do meu egoísmo
eu só tenho olhos pra minha cicatriz
e porque ela é minha
e é em mim que ela dói e incomoda
e não me deixa beijar o meu querido
nem as minhas queridas
os beijos que eu quero dar
eu os mando pelo ar.
13 de julho de 2010
"Triste"

Eu hoje acordei triste.
Há certos dias
em que sinto esta mesma sensação.
E não sei explicar qual a razão
porque as mãos com que escrevo estão frias.
Eu pergunto a mim mesmo: "Tu não rias
inda ontem tão feliz? Dize-me, então,
por que sentes pulsar teu coração
destoando das humanas alegrias?"
E nem eu mesmo sei dizer porque estou triste.
Quem me olha não calcula, com triste certeza,
O imenso caos que no meu peito existe.
A tristeza que eu sinto ninguém vê.
É a maior das tristezas, é a tristeza
que a gente sente sem saber por quê.
poema de J. G. de Araújo Jorge
5 de julho de 2010
enferrujada

Schopenhauer
Em outras palavras: evitar a fadiga (como diria uma prima)
Poemete
16 de junho de 2010
13 de maio de 2010
Pedal do Silêncio em Brasília (DF)
PEDAL DO SILÊNCIO EM BRASÍLIA (DF)
Todos os anos, cerca de 1.500 ciclistas morrem nas ruas e rodovias brasileiras. São mais de 3 ciclistas por dia, vítimas de um trânsito hostil e violento, dominado por veículos automotivos, apesar de a bicicleta ser o meio de transporte mais sustentável já inventado, e, portanto, merecedora de respeito e consideração.
As ruas do Distrito Federal refletem a mesma triste estatística. Segundo dados do DETRAN/DF, nos últimos 14 anos 769 ciclistas foram mortos, o que dá uma média de 1,14 ciclista morto por semana. Ou seja, durante 14 anos consecutivos a média é a mesma, e nada se faz a respeito.
O Pedal do Silêncio é um passeio ciclístico em homenagem a todas as pessoas mortas em acidentes de trânsito enquanto andavam de bicicleta. O movimento teve sua primeira edição na cidade norte-americana de Dallas (Texas/EUA), em 16/05/2003, em homenagem ao ciclista de resistência Larry Schwartz, morto em um acidente com um ônibus. O Pedal do Silêncio prevê um passeio silencioso por alguns quilômetros da cidade, em que os ciclistas trajam uma camiseta branca e uma faixa preta em algum dos braços. A história e o propósito do evento estão em: www.rideofsilence.org
Esta será a 8ª edição do evento, que acontece simultaneamente em diversas cidades do planeta. No Brasil, o Pedal do Silêncio já acontece em São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES) e Brasília (DF).
A 2ª edição do Pedal do Silêncio em Brasília acontece no dia 20 de maio, quinta-feira, com concentração a partir das 19h, na Praça das Bicicletas (no Museu Nacional). A saída para o passeio será às 19h30. Os ciclistas deverão usar roupas brancas, e a velocidade do pedal não deverá ultrapassar 20 km/h. Recomenda-se o uso de capacetes e luvas.
SERVIÇO
Pedal do Silêncio – Brasília (DF)
Data: 20 de maio (quinta-feira)
Local: Praça das Bicicletas (Museu Nacional)
Horário: 19h (concentração)
19h30 (saída)
English Version
BRAZIL’S RIDE OF SILENCE
Every year, about 1500 cyclists are killed on Brazilian streets and highways. It means that, each day, three bike riders are victims of a hostile, violent traffic, dominated by automotive vehicles, although bykes are the most sustainable mean of transport ever invented, and therefore should be worthy of respect and consideration.
The streets of Brazil’s Federal District reflect the same shameful statistics. According to the Federal District’s Traffic Department (DETRAN/DF), in the last 14 years 769 cyclists have been killed on the streets, which means that 1,14 cyclists are killed per week. For 14 years the average is the same, and nothing has been done about it.
The Ride of Silence it’s a cyclist ride in honor to all people who got killed in traffic accidents while riding their bycicles.
This movement had its first edition in the North-American city of Dallas (Texas/USA), in May 16th 2003, in honor to endurance cyclist Larry Schwartz, who was hit by a bus, and dyed. The Ride of Silence proposes a silent ride on the streets, where cyclists wear white clothes and a black band in one of the arms. Ride of Silence’s history and purposes can be found at www.rideofsilence.org.
This will be the 8th edition of the event, which happens simultaneously in several cities of the world. In Brazil, the Ride of Silence happens in São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES) e Brasília (DF).
In Brasília, the 2nd edition of Ride of Silence takes place in May 20th, at the Bicycles’ Square, in the National Museum, at 7 p.m., and the ride starts at 7h30 p.m. Cyclists should were a bicycle helmet, white clothes, and ride their bikes at 20km/h top.
RIDE OF SILENCE
Brasília (DF) – Brazil
When: 20th May, 2010
Where: Bicycles’ Square (National Museum)
Schedule: 7 p.m. (leaving to the ride at 7h30 p.m.)
30 de março de 2010
Enxurrada
e enchente, tempestade
temperamental
e destemperada
tropeçando nas letras
das músicas
e das palavrasboiando e afundando
submergindo
subterrâneo
cantam-me lígia
a lida temperada com pólvora durante a noite
a vida misturada de poesia durante o dia.
na cabeça, caraminholas
camisinhas
camisolas
nunca é tarde pra se arrepender:
meu passado me consola
o futuro me ignora
eu passo andando
passeio cantando
na tesourinha
corto a asa da mentira
e grito pra todo mundo ouvir
que eu sou brega
e que eu te amo.
5 de março de 2010
Ensudercida e enluarada dessa rua que não fica vazia
Lado bê instrumental
Disco que nunca fura.
Vide o verso da vida versada em saudade, saturnice, solidão.
Poesia temperada
do vinho
que eu derramo no chão.
Chora não.
esse verso rimado
pausado
para sempre censurado
esse verso
pedaço do poema
que eu mandei ficar calado.
2 de março de 2010
Quase sobra...
... uma paciência para eu perder.Uma carne pra eu fritar
um pedaço pra eu dar
pra você vomitar.
Quase sobra um pouco da fossa
um pouco da água gelada
um pouco da merda entalada
que o corpo não deixa passar.
O que sobra
é o que fica
é o que resta
é o que não vai embora
é a merda
o nada
a porrada na cara
desliga o telefone e chora
manda a carta
lê rasga
e joga fora
Quase sobra
um restinho de qualquer coisa
um restinho de dor
de saudade antecipada
dessa vida que anda parada
que anda de ônibus
que não quer nada com nada
fazer uma rima barata
brincar de quem não quer nada
ficar na fossa danada
da rima barata
da cerveja barata
e do gorfo gratuito.
eu já citei a citação
mas hoje não posso mais
pois já não me sinto livre pra nada
nem pra triunfar
e muito menos
pra
fracassar.
porque se teve uma coisa que eu fiz
foi tentar.
(trilogia da geladeira velha)
poesia para um amor que se vai
vai-se novamente. não bastou o inverno antecipado de junho passado.
não bastou a morte repentina,
não bastou a fossa
a bossa
a cossa
a moça babada
o gorfo
a rebolada
o malemolejo da molecada
a rima fácil por tão pouco condenada.
a poesia é o meu ponto final
na textura das palavras
no ridículo
de ser
desse jeito exato
que
eu sou.
8 de fevereiro de 2010
a vida é frágil como uma bolha de sabão

Ou seria apenas eu que me encontro assim, volúvel, límpida e transitória? Onde foi que eu guardei aquela esperança toda que eu tinha? Talvez eu a tenha varrido junto com o pó dos cantos da minha memória. Tem alguma coisa presa entre meu esôfago e minha garganta. Quase entro em depressão lendo sobre como se portar em uma entrevista de emprego. Às vezes eu quase digo que nunca trabalhei na vida. É assim que me sinto quando olho pra trás. De que adianta isso tudo? Tem alguma coisa que está fora de si. Lonelily again? I don't think so. Em um instante parece que estou frágil de novo como soap bubbles. Volúvel, límpida, transitória. Explosível.
Explosível.
Tenho vontade de vomitar quando penso na minha conduta moralista e politicamente correta, cristã (fodam-me). Saudade de mim mesma.
25 de janeiro de 2010
22 de junho de 2009
CANTARES DO SEM-NOME E DE PARTIDAS

I
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.
[H.H.]
Hilda Hilst

O escritor e seus múltiplos vem vos dizer adeus.
Tentou na palavra o extremo-tudo
E esboçou-se santo, prostituto e corifeu. A infância
Foi velada: obscura na teia da poesia e da loucura.
A juventude apenas uma lauda de lascívia, de frêmito
Tempo-Nada na página.
Depois, transgressor metalescente de percursos
Colou-se à compaixão, abismos e à sua própria sombra.
Poupem-no o desperdício de explicar o ato de brincar.
A dádiva de antes (a obra) excedeu-se no luxo.
O Caderno Rosa é apenas resíduo de um "Potlatch".
E hoje, repetindo Bataille:
"Sinto-me livre para fracassar".



