Moro em Covilhã, pequena cidade montanhosa, que existe desde 1186, quando tornou-se uma vila, e é um município há 140 anos. Tem cerca de 35 mil habitantes, muitas ladeiras, uma parte antiga que é encantadora, e uma parte nova de característica moderna, que não me atrai particularmente.
Tanta gente já me perguntou como vim parar na Covilhã, quase como se a cidade não existisse. Perguntavam-me de uma forma que eu até me constrangia, quase pedia desculpas por estar aqui. Mas, respondendo à pergunta que não quer calar... O que me trouxe à Covilhã foi a UBI - Universidade da Beira Interior, onde faço Mestrado em Cinema, mas que está em vias de tornar-se tão-somente uma pós-graduação, pois não pretende fazer o 2º ano (o que reduzirá sensivelmente minha estadia na Europa).

Cheguei em Portugal dia 3 de Novembro de 2011, em Lisboa, e lá fiquei até o dia 5, sexta-feira. Então vim pra Covilhã. Cheguei aqui à noite. Não tinha nem o que comer nem cigarros pra fumar. A cidade estava deserta. Peguei um táxi e fui pra residência. Acertei em cheio o local (coisa rara), e descobri que estava no quarto 310. O segurança da residência foi super antipático. É claro que ele não me ajudou a levar nem ao menos uma das malas. Sobrevivi até o terceiro andar. E aqui passei a viver.
Poxa, faz tanto tempo que isso aconteceu... Registrei em um papel minhas primeiras emoções, que foram amedrontadas mas otimistas. Bem, acho que ainda não estou preparada para contar como foram os primeiros tantos. São tantas memórias. Deixarei-as vir por capítulos. E este texto fico sendo a apresentação.