24 de outubro de 2007

Palhaços


"Aqui se sentem como no exílio. No exílio não só do palco, mas quase também de si mesmos. Porque a sua ação, a ação viva do corpo deles vivo, ali, na tela dos cinematógrafos, não mais existe; há somente a sua imagem, captada num momento, num gesto, numa expressão que brilha e desaparece. Percebem confusamente, com um sentimento inquieto, indefinível de vazio, aliás, de esvaziamento, que o seu corpo é quase subtraído, suprimido, despojado da sua realidade, do seu respiro, da sua voz, do barulho que ele produz ao movimentar-se, para se tornar somente uma imagem muda, que treme por um momento na tela e desaparece em silêncio, de repente, como uma sombra inconsistente, jogo de ilusão sobre um esquálido pedaço de pano. Eles também sentem-se escravos desta maquininha estridente que sobre o tripé com pernas embutidas parece uma grande aranha à espreita, uma aranha que suga e absorve a realidade viva para torná-la aparência evanescente, momentânea, jogo de ilusão mecânica diante do público. E aquele que os despoja de sua realidade e dá de comer à maquininha, que reduz a uma sombra o corpo deles, quem é? Sou eu, Gubbio".


Luigi Pirandello, "Cadernos de Serafino Gubbio operador", Ed. Vozes, São Paulo, 1990, p. 72.
(Sobre o trabalho do ator no cinema mudo (lançado originalmente em 1915).

13 de outubro de 2007

H.O. - Memórias de Arquivo





Coquetel de lançamento do documentário
"H.O . – Memórias de Arquivo"



Está marcado para o dia 17 de outubro, às 20h30, no cinema do Centro Cultural Goiânia Ouro, o lançamento oficial do filme "H.O. – Memórias de Arquivo".
Dirigido por Raimundo Alves, produtor de cinema e curta-metragista de longa data, "H.O. – Memórias de Arquivo" é um documentário de 60 minutos de duração que conta a história de Goiânia, desde a construção da cidade até o período da ditadura militar, através do trabalho fotográfico de Hélio de Oliveira, primeiro repórter fotográfico de Goiás pelo jornal "O Popular" e primeiro repórter oficial do Governo do Estado, com Pedro Ludovico Teixeira.
Com um acervo fotográfico de aproximadamente 35 mil fotos, Hélio de Oliveira – conhecido como "Hélio Fotógrafo" ou ainda " H.O." – confunde a história de sua vida e de seu trabalho com a história de Goiânia. A importância de suas fotografias nos dias de hoje é imensurável, uma vez que seus registros são de uma raridade e unicidade ímpares.
Dos desfiles de estudantes em comemoração ao aniversário de Goiânia, passando pelo fotojornalismo factual do cotidiano da cidade, bailes de carnaval no Jóquei Clube, coberturas policiais, fotos aéreas, obras dos governos de Pedro Ludovico, José Ludovico de Almeida, José Feliciano, Mauro Borges, até a construção de Brasília, a campanha de JK ao Senado por Goiás, e chegando até os interventores da ditadura militar, Hélio de Oliveira possui o registro de quase seis décadas da história da cidade, e, aos quase 80 anos, H.O. conserva em sua memória e em suas fotografias a história do povo goianiense.


Memórias de Arquivo

O início do trabalho de documentação do acervo fotográfico de Hélio de Oliveira foi em 2005, durante as gravações de um documentário sobre o Art Déco em Goiânia. Ao tomar conhecimento do acervo de Hélio, o diretor de fotografia Raimundo Alves imediatamente iniciou o processo de documentação do acervo, com um viés de pesquisa para um processo posterior mais elaborado.
Os trabalhos se iniciaram efetivamente após a elaboração de um projeto de financiamento do filme pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Goiânia, que liberou R$ 45 mil reais para captação, dos quais foram obtidos R$ 40 mil.
Com a co-produção de Ronaldo Araújo através da Idéia Produções, pesquisa de Lígia Benevides e Narjara Medeiros, roteiro de Raimundo Alves e Lígia Benevides, produção executiva de César Kiss, assistência de direção de Lígia Benevides, produção de Rubens Garcia e Paulo Prudente, produção de Arte de Marcela Borela, edição de Levy Álvares (Idéia Produções), trilha sonora de Fausto Noleto e Sólon Moraes, desing gráfico de Vinícius Lousa e apoio da CIAL, empresa de alimentação que promove o coquetel do lançamento, o filme "H.O. – Memórias de Arquivo" pretende incentivar o retorno às raízes da história de Goiânia, através da valorização daquilo que a cidade possui de sui generis em sua história, em seus personagens, e na sua participação na história do Brasil.


SERVIÇO

O quê: Lançamento do filme "H.O. – Memórias de Arquivo", de Raimundo Alves (documentário/60 min/ digital / 2007 GO)
Quando: 17 de Outubro (quarta-feira)
Onde: Centro Cultural Goiânia Ouro (Rua 3 c/ rua 9, Centro)
Início da sessão: 20h30

Entrada Franca


CONTATO

Assessoria de Imprensa: Lígia Benevides (ligiabene@gmail.com) - (61) 9164.2520 // (62) 3215.7898
Diretor: Raimundo Alves (raigema3@hotmail.com) - (62) 8128.9839 // (62) 3622.6261 (Casa de Produção)

2 de outubro de 2007

AMOR, quantos caminhos até chegar a um beijo,
que solidão errante até tua companhia!
Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.
Em Taltal não amanhece ainda a primavera.

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,
juntos desde a roupa às raízes,
juntos de outono, de água, de quadris,
até ser só tu, só eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,
a desembocadura da água de Boroa,
pensar que separados por trens e nações

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos,
com todos confundidos, com homens e mulheres,
com a terra que implanta e educa cravos.


Pablo Neruda