28 de dezembro de 2005

Na Véspera

Essa pintura é uma obra de Juan M. Valcarcel Obelleiro, que vem ilustrar o poema de Álvaro de Campos, intitulado "Na Véspera".

Na véspera de não partir nunca

Ao menos não há que arrumar malas

Nem que fazer planos em papel,

Com acompanhamento involuntário de esquecimentos,

Para o partir ainda livre do dia seguinte.

Não há que fazer nada

Na véspera de não partir nunca.

Grande sossego de já não haver sequer de que ter sossego!

Grande tranqüilidade a que nem sabe encolher ombros

Por isto tudo, ter pensado o tudo

É o ter chegado deliberadamente a nada.

Grande alegria de não ter precisão de ser alegre,

Como uma oportunidade virada do avesso.

Há quantas vezes vivo

A vida vegetativa do pensamento!

Todos os dias sine linea

Sossego, sim, sossego...

Grande tranqüilidade...

Que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas!

Que prazer olhar para as malas fítando como para nada!

Dormita, alma, dormita!

Aproveita, dormita!

Dormita!

É pouco o tempo que tens!

Dormita!

É a véspera de não partir nunca!

Fim da Linha

O que pensar desse ano novo que vem chegando? O ano muda, mas será que realmente dá pra mudar de vida? Para o sol, para os rios e para as montanhas não faz diferença se o ano é 1358 d.C. ou 2006. E para nós?

Fim da linha para 2005. Fim da linha para as promessas não cumpridas. É proibido parar no fim do ano, há que se seguir a linha contínua do nosso calendário romano.

Vamos, gente, vamos! Há um infinituum de coisas a cumprir.

Este ano eu não vou me prometer nada, para assim me abster de ter que cumprir qualquer coisa que seja. Vou nadar com a corrente, fazer malabarismo com moedas de ouro. Temperar a vida um pouco. Deixar de lado os fardos e as espadas, deixar vir à tona somente a luz que me couber resplandecer.

Vou achar graça em tudo o que for sombrio e triste e vou ver beleza nas coisas mais medonhas. Assim não será possível eu me decepcionar.

Não é?

27 de dezembro de 2005

Ás de Paus




Eu com a câmera na mão, em Goiás Velho-GO. Bom demais. Explorando o meu lado Ás de Paus.

Vou anunciar a todos que queiram saber, e talvez serão poucos os que irão acessar este blog e ler o que vou escrever aqui. Entrou a grana na conta do banco pra produção do nosso curta-metragem, "Cadê a Véia?". No dia 24 de janeiro de 2005 manifestei minhas esperanças no meu outro blog, POEMIA CAÓTICA. Olha o que eu escrevi:

"Viva o Incentivo Estatal ao Audiovisual!!!

Finalmente uma oportunidade de fazer o Cadê a Véia? !!!!
Esse é um projeto que seria feita com um prêmio, mas foi totalmente inviabilizado por falta de dinheiro - o que mais poderia ser um empecilho?
Mas fiquei sabendo hoje pelo querido Janubas que a AGEPEL lançou um edital de 30 mil para projetos de curta-metragem.
Essa luz no fim do túnel da sala de projeção é um acalento para o trabalho de seis meses que eu tive no ano passado.
Veremos se faremos!"


Caro amigo Januário, que também entrou com um projeto (mas que não foi aprovado), muito obrigada pelo toque! Recebi hoje de manhã a ligação avisando que a grana chegou, a 4 dias do fim do ano. Apesar de várias pessoas estarem desacreditadas de que o dinheiro fosse sair, muitas das quais me enervando com excessos de questionamentos, insinuando minha falta de empenho em lutar pela liberação da verba (o que não é verdade), tudo correu bem. Fico contente por produzir o filme durante minhas férias acadêmicas, da mesma maneira que aconteceu há exato 1 ano atrás, com o vídeo curta-metragem "A Visita Noturna", de Júlio Vann. Por este filme, em que juntamente com Michele Lisita e Marcela Borela, e sob a batuta de Júlio, fiz a produção de figurino e cenário, recebemos o prêmio de Melhor Figurino pela Associação Brasileira de Documentaristas de Goiás, durante o VI FICA, na Cidade de Goiás, em 2004.

E agora, com muitas coisas por fazer para o filme acontecer, muitas coisas a providenciar, estou felicíssima. A partir do dia 2 de janeiro tem início a produção do meu primeiro filme como produtora, diretora e roteirista. Uau!!

22 de dezembro de 2005

Preciso de um título bem chamativo

O que realmente é escrever? Uma necessidade, um luxo, um apego, um carma, uma opção, uma profissão.

Como é que faz pra gente saber se realmente escreve bem ou não?

Por exemplo:

Esses dias aí um cara, uma espécie de senhor, homem muito considerado na vida social e profissional que cultiva, leu um projeto meu de umas 10 páginas e disse que era um projeto "gostoso de ler".

Ele disse a mesma coisa que minha leitora mais ávida, minha mãe, sempre me dizia. Que meus textos eram - ou são, ainda - bons de ler. O melhor elogio que já recebi.

Desconsideremos aqui que as mães são corujas e elogiam sempre seus filhos e filhas, para incentivá-los. Isso é realmente lindo. Mas esse senhor aí não tem é do tipo "mãezona", não mesmo. Ele é até meio padrastão. No bom sentido, claro.

Acontece que esse projeto não foi contemplado, isto é, não cumpriu seu desígnio.

É. Restou-me a frustração de não ter ganho.

Mas, tudo bem.

Dois projetos foram aprovados. Um é sobre a Guerrilha do Araguaia. Quer saber de uma coisa, eu queria ver esse projeto. Acho que ao menos parte dele poderia ser publicado no Diário Oficial.

Se o meu projeto do "Cadê a Véia" tivesse sido solicitado para ser exposto à sociedade eu não ia gostar muito, afinal, projetos iniciais, feito por iniciantes, é sempre cheio de erros, e posteriormente corrigido, sempre. Porém, a
questão da transparência da atividade pública é de expor mesmo à sociedade aquilo que ela possui como direito, que é saber como se dão os processos de licitação (o edital). Afinal, e a posição dos jurados? A gente nunca sabe o critério deles.

Eu gostaria de saber.

O outro projeto é sobre dois caras que habitaram Goiânia na década de 80. Eram figuras tidas como esdrúxulas, malucas, doidas. Um era o tal Mauricinho não-sei-quê, que era um doido que andava pelas ruas e as crianças ficavam esperando ele passar nas portas de suas casas. Minha mãe contou que sua irmã mais nova esperava por ele todos os dias, escondida atrás do muro. Ela sentia algo como fascínio e medo. Um sentimento que a gente sente com muito mais intensidade quando é criança ainda.

Bem, então eu concluo que… não concluo nada.

Ai, que confusão mental!

Bem-vindos ao meu novo blog!

Bleh!