30 de dezembro de 2011

Retrô 2011 - Parte I


Porque ninguém resiste a uma retrospectiva.

Começando aleatoriamente por...

Sempre quis ter uma tatuagem, mas nunca soube qual. Nunca houve nenhuma que me afetasse profundamente ao ponto de eu querer tê-la comigo assim, de modo infinito. Minto, nunca é exagero meu. Em 2006, mais ou menos, eu descobri a Krecha, uma brota polonesa que, na época, também tinha cerca de 23 anos. Ela tem um profile no Deviant Art, um portfólio coletivo de artistas. Dá pra visitá-la aqui. E esse desenho dela é que foi o primeiro que quis tattoo-ar:


.um dia crio coragem.


Mas coragem mesmo tenho que ter pra fazer o segundo desenho, que é uma ilustração do Duane Bryers, criador da Hilda, a pin-up gordinha. Ela roubou meu coração andando de bicicleta e biquíni. Amy Winehouse é a responsável por essa retomada das pin-ups, mas lembro-me que antes de ela ficar famosa e revolver as pin-ups do túmulo da memória coletiva, eu já tinha angariado umas imagens bem lindas que infelizmente se perderam na infinidade de back-ups dessa vida.

Mas a Hilda está intacta:


.ela merece.

Há muito tempo atrás eu vi em Goiânia uma moça linda com uma tatuagem de árvore nas costas, o que acabou por me levar a querer tatuar uma árvore também. Ainda não encontrei um desenho que me atingisse, por isso vou esperar até que surja algum que me comova o suficiente. Se isso, porém, não acontecer... quem sabe eu possa tatuar um cacto? Eu procuro por verdadeiras ilustrações!

A ideia da árvore é muito legal, mas já não sei se eu a quereria nas costas, por causa do trabalho desse tatuador chamado Lukas Musil. Uma amiga postou naquela rede de relacionamento que mais tem mídia espontânea no mundo todo, e eu fiquei super fã. As tatuagens do cara são únicas, diferentes, como rabiscos de tinta e caneta na pele. Impossível não classificar como pós-moderno, e é um prato cheio para elogios, pela lufada original e coragem para tatuar alguém assim. Em um mundo onde as pessoas escolhem os desenhos naquelas pastas pretas horrorosas que têm nos estúdios de tatuagem, a criatividade desse Musil é aliviante. Confira a matéria completa neste link de uma revista eletrônica de coisas pós-modernas e muito interessantes.

.mais que uma lufada, uma ventania de originalidade.


criando «keep calms» pra ver se eu «keep calm»





Promessas batidas

Promessas batidas e que por vezes passam mesmo batidas por quem as promete.
Parar de fumar já não prometo mais.
Beber menos desisti.
Continuo adiando a de não mais postergar.
Só não faço a promessa do regime porque já sou magra, mas o refrigerante é sempre um tabu.
Me aproximar do meu pai é já uma lenda.

Dilemas que passam ano-a-ano.

Pensando melhor, é capaz que os vá prometer novamente, afinal, tenho que fazer algumas promessas como forma de ter objetivos. Uma coisa leva à outra, afinal... as promessas, uma atitude quase sado-masoquista, vem com algumas recompensas. Dias melhores que acreditamos que virão. A ironia do destino é que não sabemos o destino das pequenas ironias que se nos mostram sorrateiramente.

Hoje conversamos sobre isso: tombos que levamos naqueles momentos em que não devemos agir, ou quando devemos ir embora, desistir, ou esperar mais um pouco. Pra não dizer que é Deus, Anjo da Guarda, ou outra entidade, poderíamos pelo menos chamar de ironia do destino? Porque alguma coisa tem de ser!

Falta 1 dia pra 2012. Passei 2011 sem escrever quase nada no blog. E olha que uma coisa que não me faltou foi assunto: mudei de país, estou fazendo mestrado, moro pela primeira vez com meu companheiro, viajei pra vários países, conheci muita gente, fiz um curta, participei de um documentário. Não faltariam fotos, relatos, depoimentos, delírios, devaneios. Acho que em 2011 eu cansei de ser quem eu sou, e tentei mudar um pouco. Aprendi coisas novas que a velha Lígia achava que não daria conta, mas já estou meio saudosa maloca de mim. A velha Lígia também tem coisas boas que a Lígia versão 2.7 não soube administrar.

Meu velho cacto que renasceu do nada me faz ter forças para renascer para este novo ano que promete tanto e que sei que vai ser inesquecível por algum motivo. A vida está girando rapidamente, a todo momento as coisas mudam, se transformam. Tenho sido atuante e espectadora. Às vezes me falo e às vezes me calo. Aprendo mais quando penso mais e falo menos.

O que a velha Lígia faria?

A velha Lígia é teimosa, porém persistente.
Preguiçosa, porém caprichosa.
Brava, porém corajosa.
Manhosa, porém carinhosa.
Brega, porém cuidadosa.
Não tenho opostos, tenho lados e avessos.
Minhas emoções são graduadas em conta-gotas, embora às vezes espirrem.

Lembrei de outras promessas que nunca cumpri: tirar a carteira de motorista, terminar o filme do Sílvio Medeiros e d'As Damas da Vila. Oh, dificuldade!

Arrumar meu quarto antes de 2012 virar também seria uma boa. Não é bom começar o quarto com coisas bagunçadas e por fazer.

Hum. Acabo de lembrar de outra coisa que não fiz: marcar o dentista.

E minha agenda, que desde setembro ficou às moscas?

Em 2012 quero usar a agenda durante OS DOIS semestres.

Quero perder menos na internet: 5min emails, 10min jornal e já está.

Amanhã não terei tempo para nada, só para o meu quarto e pensar o que farei na Virada, que eu ainda não sei.

2012, não espere por mim: eu prometo que chego na hora!

velhos chicos

Apenas um delírio meu.

16 de agosto de 2011

13 de agosto de 2011

Covilhoca




Tem uma saudade gigante dentro de mim. Ela não é só uma saudade, na verdade. Ela é mesmo uma dor física, um desespero, um susto que se apercebe da passagem do tempo, da finalização dos ciclos, e por isso choro enquanto vejo o presente tornar-se passado, e o agora virar memória. Neste momento só há espaço para a tristeza, porque mesmo a alegria fica triste quando vê que ela deve ir embora, para dar lugar, oxalá, a outras alegrias.

Eu já nem lembrava como foram difíceis os primeiros dias na Covilhã. Eu já não lembrava dos dias em que chorei de saudade porque agora só tenho olhos pra chorar essa saudade nova, que brotou tão rápido e que encontrou, no solo desse amor pela cidade, um terreno fértil. Dezenas de microfilmes passam pela minha cabeça, e eu só consigo pensar que eu curti cada segundo de estar lá, que eu gostava de estar no alto e ver a cidade aos meus pés; gostava de me agasalhar do frio e de reclamar dele, para depois ir dormir tão quentinha na minha cama. E acordar feliz porque tinha dormido bem, porque eu tinha aulas, e mesmo que não fossem as melhores do mundo, eram as minhas, e sempre me davam algo sobre o que pensar.

Eu almoçava na cantina, tomava um café e ia para a biblioteca. Depois voltava pra casa, cansada… fazia comida, fumava um cigarro, escrevia, lia. Adormecia. Vinha para Lisboa louca de saudades do meu bem, mas já depois de uns dias, enlouquecida pelo caos, só desejava voltar pra minha Covilhã, tão cheirosa, tão calma, tão sossegada, tão cheia de amigos e amigas que nunca me deixaram na mão.

A minha saudade só tem tempo para as lembranças boas. Para as ruas cinematográficas que eu filmei, e para as ruas que eu não consegui filmar. Tenho na minha memória cada pedaço de chão, cada casa, cada varal que eu vi e amei. Amava minha rotina, amava a ideia de ter uma rotina, amava estar estressada com os trabalhos, amava entrega-los e esperar ansiosa pela nota.

Passou rápido demais. Eu fui me apaixonando aos poucos e agora sinto uma dor equivalente ao fim dos romances. Ela doeu-me fisicamente, eu solucei e chorei umas lágrimas tão grossas porque sabia que ali se encerrava um período da minha vida que eu não estava preparada para ver acabar. É uma dor que equivale à da morte: a morte de um período da minha vida, a morte da convivência diária com alguns amigos e amigas.

Não mais subir a ladeira de Santo Antônio, e ver a lua nascer desavisadamente; não mais tirar fotos da minha sombra com a sombra da árvore; não mais pegar a chave na portaria e agradecer por estar há meses no quarto sozinha; não mais cozinhar no 1º andar, andando pela residência com pratos, copos, panelas, e fazendo cheirar a tudo com meu tempero cheio de alho e cebola. Não mais ir ao Universário com o Miro comer sandes de frango e cerveja a €0,50 cêntimos. Não mais visitar o Joaquim, não mais tomar café com o Ricardo, não mais sair com as meninas do Brasil, não mais fumar cigarro com a Sónia. Não mais tantas coisas. Acabou. É tão simples e tão cruel. Eu sei que vou sentir tanta saudade, que não preciso espera-la chegar para sentir que ela já chegou.

Meus olhos estão ardendo. Meu coração está diminuído. Covilhã, obrigada por ter-me feito tão feliz.





Lisboa, 2 de Julho de 2011.

21 de maio de 2011

Portuguesa

Há quanto tempo não escrevo nada no blog, mas não é exatamente por falta de assunto. Dia 3 de Junho faz 7 meses que estou "a morar" em Portugal. Tanto a dizer, mas tão pouco tempo. Talvez agora eu consiga escrever um pouco sobre tudo o que aconteceu, tudo o que vem acontecendo desde que vim pra cá, já que finalmente adquiri um computador portátil (é melhor do que notebook ou laptop).

Moro em Covilhã, pequena cidade montanhosa, que existe desde 1186, quando tornou-se uma vila, e é um município há 140 anos. Tem cerca de 35 mil habitantes, muitas ladeiras, uma parte antiga que é encantadora, e uma parte nova de característica moderna, que não me atrai particularmente.

Tanta gente já me perguntou como vim parar na Covilhã, quase como se a cidade não existisse. Perguntavam-me de uma forma que eu até me constrangia, quase pedia desculpas por estar aqui. Mas, respondendo à pergunta que não quer calar... O que me trouxe à Covilhã foi a UBI - Universidade da Beira Interior, onde faço Mestrado em Cinema, mas que está em vias de tornar-se tão-somente uma pós-graduação, pois não pretende fazer o 2º ano (o que reduzirá sensivelmente minha estadia na Europa).


Cheguei em Portugal dia 3 de Novembro de 2011, em Lisboa, e lá fiquei até o dia 5, sexta-feira. Então vim pra Covilhã. Cheguei aqui à noite. Não tinha nem o que comer nem cigarros pra fumar. A cidade estava deserta. Peguei um táxi e fui pra residência. Acertei em cheio o local (coisa rara), e descobri que estava no quarto 310. O segurança da residência foi super antipático. É claro que ele não me ajudou a levar nem ao menos uma das malas. Sobrevivi até o terceiro andar. E aqui passei a viver.

Poxa, faz tanto tempo que isso aconteceu... Registrei em um papel minhas primeiras emoções, que foram amedrontadas mas otimistas. Bem, acho que ainda não estou preparada para contar como foram os primeiros tantos. São tantas memórias. Deixarei-as vir por capítulos. E este texto fico sendo a apresentação.

8 de fevereiro de 2011

um poema

Meu pai
Que nos fizeste pai
que desuniste
não me lembro de ti
assim belo, meigo, triste
ai de mim!
que fizeste de nós
as três donzelas?
minha mãe era uma delas
minha irmã e eu
e José
o varão que morreu
passaste veloz
pela minha infância
breve paternidade
mas ficou-me um gosto
de pai
na minha tenra idade
e por isso ser mais forte
que o marido infiel
que o pai ausente
olho-te
e vejo o melhor de ti
o mais terno
o mais belo
o pai mais desejado
que pouco vi.


in Fotopoesia, de Isabel Ruth (atriz portuguesa)