24 de julho de 2008

Cine ROOTS na imprensa de Brasília

O Cine ROOTS - Mostra de Curtas do bar Raízes, que tem acontecido desde o dia 24 de junho em Brasília, toda terça-feira, na 110 Norte, realizou no último dia 22 a 1ª mostra de curtas realizados em Brasília.

Amanhã coloco as fotos do evento, que ficou cheio, superando as nossas expectativas!

Recebemos uma forcinha legal dos órgãos da imprensa, confiram:






22 de julho de 2008

Boca no Lixo no DM!


8º Desbitola - Filmes Independentes



Da arte de fazer filmes sem dinheiro ou
sobre como nos tornamos foras-da-lei



Produções de baixo orçamento, independente e trash – convergências e diferenças nos filmes produzidos sem recursos financeiros no 8º Desbitola

Por Lígia Benevides


Cinema de guerrilha. A câmera pode ser uma arma. Filmes fora-da-lei. O cinema independente existe e resiste. É possível fazer filmes com (muito) pouco dinheiro? Cinema de amadores ou de inventivos? Qual a diferença entre ser trash e ser independente?
O ciclo do Desbitola continua girando e coloca na roda três produções expressivas do cinema independente produzido em Goiânia. O público poderá conferir, no dia 28 de julho, a partir das 20 horas, no Cine Cultura, os curtas O Pequi (fic, 5 min, 2006), de Rodrigo Assis Horse; Adilsin Gente Fina (fic, 7 min, 2005), de Januário Leal; e Só as Éguas são Felizes (fic, 4 min, 2006), de Vander Veget e Bruno Lopes.
Os filmes em exibição já foram a público em Goiânia no FestCine Goiânia e na Mostra Trash!, e também estão disponíveis no YouTube, um dos principais veículos de difusão de filmes independentes. Adilsin Gente Fina contabiliza mais de 50 mil visitas no site, e Só as Éguas são Felizes foi exibido no Festival Mix Brasil, em 2006. O Pequi conta ainda com mais dois filmes, que completam a trilogia.
Todos os filmes em exibição foram produzidos de forma independente, isto é, sem recursos financeiros advindos de editais de fomento à cultura. Porém, mais do que terem sido feitos sem cachês para a equipe e elenco, os filmes possuem temáticas sui generis, que caracterizam os filmes mais por seu conteúdo do que pela maneira como foram produzidos. Ou seja, em termos de independência, podemos questionar um filme quanto sua forma de produção e do roteiro que ele propõe. Quem assistir poderá questionar: será que algum desses filmes passaria por uma comissão de seleção de editais, dado aos polêmicos roteiros em questão, quando até mesmo uma sinopse pode ser alvo de censura?
Pela temática, o curta O Pequi se enquadra na categoria trash: seres de outro planeta se utilizam de pequis para infiltrar na sociedade; pela independência financeira, temos Adilsin Gente Fina; e pelo roteiro temos Só as Éguas são Felizes.
A estética do cinema trash é famosa no Brasil pelas produções do cineasta José Mojica Marins, o Zé da Caixão. Sangue escorrendo, tripas para fora, cenas noturnas e obscuras, vampiros, monstros e afins caracterizam a vertente terror, tão cara ao cinema trash. Por outro lado, no boca-a-boca do dia-a-dia, a expressão filme trash pode se referir a histórias com conteúdos “politicamente incorretos”, ou que simplesmente tenham sido feitos de forma independente, sem dinheiro, com equipe formada por amigos que em uma tarde gravam e em outra tarde editam.
Produtor musical e idealizador da Mostra Trash! – festival de filmes independentes – o debatedor convidado para esta edição, Márcio Jr., estará presente para falar sobre essas e outras questões com os diretores convidados. Formado na UFG em Engenharia, com mestrado em Comunicação Social pela UnB, Márcio Jr. é professor universitário, sócio-fundador da Monstro Discos e cinéfilo de carteirinha.
Como diria o realizador independente CarlosMagno Rodrigues, de Minas Gerais: Mini-DV = AK-47.
Vamos discutir o cinema goiano?



8º Desbitola – Ciclo de Debates do Cinema Goiano
O Cinema Independente
Dia 28 de Julho (segunda-feira)
20 horas
Cine Cultura
Entrada Franca
Realização: nÓis produções, Frita Filmes, Fractal Filmes, Traktana Filmes e Lídia Stock


Assessoria de Imprensa: Lígia Benevides e Marcela Borela
Contato (Imprensa): Marcela Borela (62 84047700) –
marcelaborela@gmail.com, (Cc) desbitola@gmail.com
Web:
www.flickr.com.br/photos/desbitola

17 de julho de 2008

4ª MOSCA - Mostra Audiovisual de Cambuquira (MG) - Relato de uma viagem

4ª MOSCA - Mostra Audiovisual de Cambuquira (MG)

Tive a alegria de ir pra cidade de Cambuquira, no interior de Minas Gerais, representar o documentário "Boca no Lixo", velho conhecido do blog. Uau, eu poderia ficar escrevendo aqui a noite toda sobre o ocorrido. Saí de Brasília às 19h30, pela viação Gontijo, rumo a terra do pão de queijo. Boatos sugeriam um frio de rachar na terra onde nasceu meu bisavô materno. Se no sertão de cá estava frio, era de se imaginar mesmo. E não me arrependi dos casacos, meias, calças e cachecol que levei em uma malinha velha e surrada, presente do meu pai. Após 15 horas de uma viagem tranquila, fria e cheia de comidinhas de posto de gasolina, cheguei na cidade que estava sediando, desde o dia 9, a 4ª Mosca - Mostra Audiovisual de Cambuquira (MG).

Cheguei no antepenúltimo dia do festival, dia 11, sexta-feira. Fui da rodoviária para o Espaço Cultural que abriga o evento, coordenado pela Ananda Guimarães e suas parceiras-colegas-amigas. Lá conheci a Ananda e a Fernanda, duas figuras que estudaram na UFSCar e que gostam de ver, fazer e exibir cinema.


Depois de um café, um passeio no espaço cultural e de conhecer mais algumas pessoas com as quais convivi intensamente pelos dias seguidos, fui para o hotel deixar minha malotinha. (Pausa para falar do local da hospedagem: Grande Hotel Brasília. Será tudo mera coincidência?) Depois de quase perder meu casaco no estacionamento, voltei para a rua onde eu iria passar 97% do tempo em que estive na cidade. Rapidamente localizei a farmácia, a lan house e... ué, onde está o Banco do Brasil? Uma senhora surpresa: em Cambuquira não tem agência nem caixa do Banco do Brasil. Imaginei rapidamente que não deveria ter nenhuma loja d'O Boticário lá também. Mas, inicialmente, com algum dinheiro no bolso, eu iria sobreviver. Conversinha e docinho na lanchonete próxima com um simpático paulista chamado Marcos Camargo e sua companheira de viagem Roberta. Fui pro hotel recobrir minhas forças com um bom banho e uma nova roupa.
A alegria de viajar para um festival equivale mais ou menos a alegria de quando se é criança e você entra de férias em dezembro. Difícil até se conter. Viajar é uma das ações que mais me dá a sensação de liberdade, acompanhada geralmente por sentimentos como euforia, riso frouxo, gargalhadas internas, frio na barriga, vontade incessante de comer chocolate, lapsos de desejo por cerveja e/ou vinho (junto ou separado!) e vontade de não dormir pra não perder nada. O que no meu caso é um risco constante, tendo em vista que meu sono é algo difícil de saciar.


Almocei um lombinho com cebola no Café da Mosca, reduto gastronômico do festival - chocolate com conhaque, cerveja Bohemia, novos amigos, revistas de cinema, dvd's de curtas...
Soube depois que haveria mais um cidadão goiano em Minas. Representando o curta de ficção "Nosferatu", dirigido pela Heloá Fernandes e Rodolfo Carvalhaes, filme que também esteve no FestCine Goiânia e em Atiabaia, assim como o BOCA NO LIXO, aterrisou em Cambuquira o Carlos Cipriano, fazedor de filmes e professor/coordenador do curso de Fotografia e Imagem de uma faculdade particular de Goiânia. Surpresa boa, já que todo mundo que estava na mostra era amigo de longa data, eu também me alegrei de ter um por ali!


Encontrei Cipriano enquanto "Boca no Lixo" estava sendo exibido. Cheguei a subir no palco para apresentar o filme. Sempre aquela tremedeira na mão, um gaguejada aqui, uma trombada na dicção acolá, mas sobrevivi. Após a exibição do filme, pra variar, a emoção incontida não me permite ficar na sala de projeção. Saio pra tomar um ar e fumar um cigarro. Paradoxal, no mínimo. Volto pra sala de projeção. O frio lá fora é quase um atentado. Minha gripe recém domada ainda dá sinais de vida, mas uma bebida quente aquece a garganta e a alma.



E por falar em cinema, a seleção de filmes da mostra foi ótima. Revi alguns diretores, conheci muuita coisa nova e me surpreendi com as belas histórias, diversidade de técnicas, de formatos, de linguagens. Fiquei feliz por ter meu filme ali no meio de tanta coisa boa, como "Satori Uso", uma aula de fotografia, direção e formalismo, e tantos outros que citarei quando estiver com a programação em mãos (difícil lembrar de tantos filmes, nomes e diretores... faço aqui o mea culpa).

Não me canso de ver o BOCA. Já sei as falas de cor, mas que diretor não sabe as falas do seu filme de cor, não é mesmo, Brasil? Achei a projeção da mostra muito boa, aliás, fiquei bastante satisfeita. Apenas tive que pedir para aumentarem um pouco o volume, que ficou nitidamente baixo durante as falas do coletor João, um dos melhores depoimentos do filme. Problema prontamente resolvido, agilmente solucionado pelas meninas arretadas da produção.


Após a exibição, o debate com o público. Três mediadores cineclubistas faziam as honras. ( ) O mais falantes deles e visivelmente mais experiente - ou desinibido - era o Gabriel. Com a voz da altura do corpo, deu início ao debate de forma formal e espontânea. Bem, aí eu comecei, né? Falei, falei, falei. Falei da Ana, falei do João, falei da minha vida que mudou depois do filme, falei da pequena pesquisa com a Jane, falei das minhas motivações, falei da equipe, da proposta... E, fortuitamente, ouvi muito. O público gosta do Boca porque aprende muito com o filme. As pessoas sentem o filme como necessário. "É preciso exibir em escolas", diz um. "Procure a empresa alemã XYZ, pois eles apóiam projetos como os seus", sugere uma senhora loura e distinta. "Na minha cidade teremos enchente em breve", denuncia uma jovem.


Um rapaz de faixa na cabeça ouve atentamente e faz perguntas que me levam a crer que ele é realizador. Sim, ele era mesmo, o Rafael Rolim. Não cheguei a ver o filme dele na Mosca, mas vi a cópia aqui em casa, em Brasília, e gostei muito do filme, que também se tece sobre a paisagem urbana, falando da vida e sobrevida de uma praça gigante, linda e maluca de São Paulo.

Nesta primeira noite do festival conheci várias pessoas, dentre eles um sr. chamado Dimas, que vai todas as férias para Cambuquira, deixando seus filhos malucos ("Se bem que nas últimas férias nós fomos para Florianópolis"). Este simpático sr. tinha estado no debate, e, bem, se debateu tentando falar mas não conseguiu. Eu tentei dar-lhe a palavra, mas inútil. De forma que quando entrei no café fui por ele saudada e convidada a me sentar.

Disse-me então que no dia anterior vira um documentário sobre o cineasta da Atlântica Carlos Manga, que fez muitos filmes com o Grande Otelo. Disse Carlos Manga, segundo o Dimas, que é preciso que se filme aquilo que não é visto, pois do contrário não é necessário. É preciso filmar aquilo que se ignora, que não sobressai. E, segundo o Dimas, mais uma vez, reside aí o trunfo do nosso documentário. Quando propomos uma narrativa cuja voz preponderante é a dos trabalhadores da limpeza urbana, estaríamos exibindo aquilo/aquele que não é visto/ouvido. Sempre muito bom ouvir isso. Nos dá força para continuar.

Após alguns goles, conversas e muito frio, seguimos os habitantes provisórios do Grande Hotel Brasília rumo ao destino que o frio de 7 graus nos guiava: a cama. Sobrepus umas 7 peças de roupa e fui dormir.

Como era de se esperar, eu acordei tarde pra burro. Não consegui almoçar e tive que me contentar com 2 salgados e umas cervejas, acompanhada pelo Cipriano, que teve que encurtar sua viagem e retornar a Goiânia no ônibus das 16h55. Aproveitei que estava na rodoviária e fui verificar o preço da passagem para Belo Horizonte. Pretendia visitar um amigo e, bem, pretendia, porque o valor de 50 reais inviabiliza meu desejo e eu fui em busca de carona pra BH, o que acabou não acontecendo. De todo modo, o amigo viajou, e eu fiquei feliz por ter ficado até domingo em Cambuquira.


A noite de sábado foi a melhor. Depois de assistir vários curtas da melhor qualidade, como "Sonido", da Fernanda Fraiz, entre muitos outros cujo nome agora não lembro (...), fomos todos pro café hablar, hablar e hablar. Essa noite terminou cedo, lá pelas tantas da madrugada. Nessa noite o frio foi menor! Neste dia ganhei o filme do Rafael e o "Landau 66", um ótimo filme, com uma direção segura e muitos efeitos especiais, de final impactante.


Na manhã de domingo acordei mais cedo. Estava preocupada com meu destino: passagens, horários, dinheiro. Tive que ir para Três Corações, cidade natal do rei Pelé e que fica a 20 minutos de Cambuquira. O motivo: encontrar um Banco do Brasil. Com a lotérica da Caixa fechada, eu não tinha como sacar os 112 reais necessários para a compra da passagem de volta para a terrinha. Passeio bacana, fui curtindo a paisagem e aproveitando os últimos momentos do festival.

De volta a Cambuquira, passagem pela rodoviária para comprar a passagem. Tudo certo.

Antes das premiações assistimos aos 3 curtas produzidos durante as oficinas de interpretação e realização audiovisual. Gostei muito do primeiro deles, um curta de ficção científica, que soube explorar bem os espaços e objetos antigos do casarão que abriga o Espaço Cultural, onde o Mosca aconteceu. Abaixo uma cena do filme.



Depois dos filmes produzidos nas oficinas viriam os resultados do Júri Popular em forma de projeção, uma forma interessante de agilizar o processo e nos anunciar os "vencedores" de forma original e bastante cinematográfica.
Começamos com a Menção Honrosa concedida pela organização do Mosca: "Ecos da Terra", de Paulo Abel, uma ficação de 9 minutos produzida em São Paulo. Merecido.

Em seguida, Melhor Animação para "Rua das Tulipas", do Alê Camargo, que conheci em Atibaia com o curta "A Noite do Vampiro". Animação em 3D produzida pela OZI, escola caríssima de cinema que tem em Brasília. Merecido também. Tivemos ainda Melhor Curta Infantil: Doce Turminha e o Bom Samaritano, de SC, uma animação de 10 minutos dirigida poe Eduardo Drachinsky, amigo da Fernanda Fraiz. Particularmente, eu não gostei muito do fime, mas deu para entender porque ele ganhou: um roteiro super cristão que fala sobre a ajuda ao próximo, com um escaravelho velhinho em perigo, que é o contador de histórias de um grupo de crianças-insetos.

Aí entrou a cartela para Melhor Documentário. Fiquei na expectativa. Alguns bons 10 segundos de tela preta. Senti meu rosto esquentando e fiquei imaginando a música dos créditos iniciais tocando. Mas não era imaginação. A música começou de fato, e eu me dei conta de que tínhamos ganhado. Meu rosto pegando fogo, alegria e espanto. Alguns sorrisos dos colegas ao lado ao me reconhecerem sorridente na sala escura de cinema.

Depois da projeção corri pra
pro hotel para pegar a mala, desde cedo arrumada para evitar maiores correrias, e de volta para a sala de exibição, onde aconteceria a entrega dos certificados da premiação feita por votação pelo júri popular. "Bem, lá vamos nós para mais um encerramento", pensei eu com meus botões. A gente nunca pensa na premiação durante o festival - é uma coisa legal e chata ao mesmo tempo, tendo em vista que podemos sair de lá com alguma coisa - ou não. Entretanto, uma vez que você ganha, aí é só alegria mesmo! Abaixo, eu no palo agradecendo. Hehehe!





Acima, as brotas produtoras do festival! Organizadas, gente boa e boas de serviço! Merecem aplausos! Espero ter outros filmes pra poder inscrever nas próximas Moscas que vierem voando nos próximos anos! Detalhe: festival realizado sem leis de incetivo à cultura! Uma verdadeira raridade!!

Bem, depois que tudo acabou... só me restou despedir da bela cidade de Cambuquira, com suas águas gasosas de gostos diversos e poderes medicinais!

Obrigada a tod@s e até o ano que vem!
Né?
=P

Toda as fotos são de autoria de Mateus Rios - Organização Mostra Mosca

17 de junho de 2008

7º Desbitola

Release e Programação

O cinema das mulheres

7º Desbitola exibe curtas de diretoras goianas e coloca em debate a visão feminina da sétima arte

Digite “diretora de cinema” na noosférica enciclopédia virtual do Google. Ao final da página você encontrará uma citação a Tizuka Yamazaky, uma a Madonna e uma a Helena Ignez. O restante refere-se a diretores do sexo masculino. Agora digite “as melhoras diretoras de cinema”. Inútil. Contrariando todas as regras da língua portuguesa, o Google lhe advertirá que, na verdade, você estava querendo dizer “as melhores diretores de cinema” (grifo deles!). Procurem em qualquer lista de cunho jornalístico e tempero pop os grandes diretores cinematográficos a citação de um nome feminino, e, por favor, me enviem quando encontrar.

Não, nada contra os diretores de cinema e suas brilhantes contribuições ao mundo da sétima arte. Também não intencionamos provocar querelas e chorumelas sexistas. Como de praxe, a intenção é promover o debate. Onde estão as nossas diretoras de cinema?

De todo o mal que a mídia e a fama excessiva podem causar à humanidade com o empobrecimento da cultura através da estandardização da mesma e da valorização de obras de gosto duvidoso, ao menos podemos agradecer pelo fato de que a exposição na imprensa e nos meios de comunicação facilita deveras o acesso aos bens culturais que poderiam simplesmente embolorar em centros de documentação, acervos de museus de imagem e som, cinematecas inacessíveis aos goianos ou enfurnados na prateleira de algum sebo da rua 4, no Centro de Goiânia.

Para que isso não aconteça no cinema goiano, a 7ª edição do Desbitola, o ciclo de debates de cinema mais redondo da cidade, promoverá a exibição de filmes dirigidos e produzidos por diretoras goianas.
Nesta edição, que acontece na última segunda-feira de junho, dia 30, às 20 horas, no Cine Cultura, o público poderá debater com a diretora Viviane Louise o seu premiado filme “Anjo Alecrim”, um documentário em 35mm que nos apresenta, em 18 minutos, o mundo fantástico de música, poesia e cores do compositor e violeiro Domá da Conceição. O filme participou de importantes festivais nacionais e internacionais, tendo recebido prêmio de Melhor Direção e Curta-Metragem pelo Cineclubes do Brasil em 2006, no II FestCine Goiânia; Melhor Trilha Sonora pela ABD/GO, em 2005, e participado do Festival Internacional de Cinema de Brasília (FIC), em 2007, e das mostras internacionais Mostra Présence et Passé du Cinéma Brésilien (Paris, 2005), I Festival du Film Court – (France, Mali, Bali, Israel - 2006) e Mostra Présence et Passe du Cinéma Brésilien, em Montpellier (FR), em 2007.

Duas ficções completam a noite feminina do Desbitola. O filme “Resto de Sabão”, de Rochane Torres, trata de uma temática delicada e séria: a violência contra a mulher, no contexto de uma relação de amor conflituosa, permeada por uma dança angustiante e metafórica. Finalizado em 35 mm e com 13 minutos de duração, o filme foi realizado em 2005 e conta com a direção de Fotografia de Kátia Coelho e edição de Levy Álvares. De sua carreira considerável em festivais, podemos citar o 5º Festival de Cinema de Campo Grande/FestCine Pantanal (2008), o 40º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2007) e a Mostra ABD/GO, onde levou o prêmio de melhor Filme e Fotografia ,em 2006. O curta também participou do FestCine Goiânia (2006) e da Goiânia Mostra Curtas (2005).

Dirigido por Simone Caetano, “Ecléticos Corações” tem como linha narrativa o reencontro de amigos após um longo período de afastamento. Apesar da dificuldade do tema, um tanto recorrente no imaginário cinematográfico, temos um filme com temperos de humor e ousados cortes secos e abruptos. O roteiro foi escrito por Narjara Medeiros e a história de 22 minutos é interpretada por atores goianos com reconhecimento no eixo Rio-São Paulo (leia-se Rede Globo), como Marcela Moura e Guido Campos, além do global Nico Puig (a diretora já trabalhou com a também global Cláudia Ohana). Com o prêmio de melhor Ficção concedido no último dia 14 pela Associação Brasileira de Documentaristas de Goiás, durante o X FICA, a diretora ganhou o troféu Pedra Goiana e 1.500 reais.

Para o debate deste mês de junho foi convidada a jornalista e mestre em Educação pela UFG, Jô Levy, que desde 2007 coordena o curso de Audiovisual da Universidade Estadual de Goiás (UEG), e também leciona as disciplinas de “Realidade Regional do Audiovisual” e “Leitura Crítica das Mídias” nesta instituição.
Vamos discutir o cinema goiano?


Serviço

7º Desbitola – Ciclo de Debates do Cinema Goiano
O Cinema na ótica das mulheres
Dia 30 de Junho (segunda-feira)
20 horas
Cine Cultura
Entrada Franca
Realização: nÓis produções, Frita Filmes, Fractal Filmes, Traktana Filmes e Lídia Stock

Confira o vídeo no You Tube:
http://www.youtube.com/watch?v=fs1jUPFDVXM


Programação - 30/06/2008 - 7º Desbitola

Anjo Alecrim (doc/18’/2005) – 35mm
Direção: Viviane Louise
Um documentário sobre o violeiro e cantador Doma da Conceição, que através de sua vivência conta um pouco sobre mitos, festas e ritmos da viola.

Ecléticos Corações (fic/22’/2008) – Digital
Direção: Simone Caetano
Uma referência à inexorabilidade do tempo e suas transformações. Um reencontro marcado por seis amigos há 23 anos.

Resto de Sabão (fic/13’30/2005) – 35mm
Direção: Rochane Torres
O filme questiona a violência em uma relação amorosa. A trama se passa em um ambiente bucólico e apresenta uma narrativa poética onde Paulo, personagem central, é um poeta aparentemente tranqüilo e indiferente, que por motivo não revelado espanca e mata Clara, que aparece morta boiando num lago.


Assessoria de Imprensa: Lígia Benevides e Marcela Borela
Contato (Imprensa): Marcela Borela (62 84047700) –
marcelaborela@gmail.com, (Cc) desbitola@gmail.com
Web:
www.flickr.com.br/photos/desbitola



REALIZAÇÃO
nÓis produções
Frita Filmes
Fractal Filmes
Traktana Filmes
Lídia Stock

PARCERIA
CARA Vídeo
UEG
Sebrae
Cine Cultura – Agepel – Gov. de Goiás

APOIO
Trident Desing
14 Bis
Ciranda da Arte
Centopéia
Sociedade
Glória
Icumam
Casa de Produção

11 de junho de 2008

H.O. Memórias de Arquivo - Cartaz

Rumo ao Infinito


Rumo ao infinito.

No fim, todos perdem, ninguém ganha. C'est ça. É isso. Quisera eu poder ter seu amor, quisera eu pudesse aceitar esse amor, viver essa saudade, curtir a dor como se curte o couro do bicho, passada a bebedeira, passadas as companhias fugidias e casuais, passado o ontem, amarga na boca o gosto amargo remoendo meu estômago, por dentro e por fora, e tudo o que eu quero é vomitar e cagar, mas não consigo. O cheiro podre exala das botas velhas e sujas, a arrastão rasgada denuncia a polução noturna, e a cabeça tonta grita dentro de mim - menina tonta tonta tonta parece até que comeu sabão, arrotando bolhas coloridas, atraindo para si toda a sorte de crianças negras indígenas brancas orientais muçulmanas hindus, todas amam as bolhas arrotadas dessa menina tonta e burra.

No peito condensados os catarros dos cigarros fumados, dos vinte cigarros tragados, toda a fumaça exalada pelo antepassados exalando da minha boca dedos cabelos olhos dentes língua cílios testa mãos pele. Que nojo, meu peito não inspira, suga ar com força, meu nariz não respira, aspira o ar com dificuldade, e eu que nunca imaginei ser dessas pessoas que fumam, nunca pensei que seria dessas pessoas que sofrem por amor e choram escondido durante a noite abafando o pranto no travesseiro, dessas pessoas que fazem sexo casual e não se arrependem, dessas que fazem sexo casual e se arrependem. De qualquer forma, eu nada imaginava a meu respeito, a vida é além de mim, existe eu com a minha vida, e o mundo e a vida do mundo, que são os outros, que me vendem o cigarro a bebida o ingresso a camisinha o remédio e a coca-cola.

O mundo são os outros. Outros eu's, outros.

De repente eu parei de gostar de você, e de repente você parou de gostar de mim, mas a gente prometeu tentar até quando não houvesse mais amor, pra quê, pra gente poder se odiar, não, é claro, bobagem, o amor era pra ser incondicional, mas por que ele deveria assim ser, por que pra ser amor tem que ser eterno, POR QUÊ?

Não, eu não vou mais chorar, nem vou esperar seus telefonemas mudos surdos e loucos, vou me deitar nessa cama de grama nesse chão de asfalto nessa pindorama, vem, vou fumar esse cigarro, vou abortar esse amor e esse abraço, vou fingir que a dor não é comigo, e que ela nunca foi inquilina aqui. E essa agonia que você tá vendo aqui é porque eu não dormi bem hoje, nem vomitei meu ego em ninguém. Isso nem é assim tão importante, mas eu quero fazer questão de dizer que você foi destronado e eu não tenho súditos.

Mas de quem é esse retrato, de quem é esse desabafo, de quem é essa vida, por que as pessoas são inseguras e esnobes ao mesmo tempo, você sente saudade e ciúme, porque está mal e tudo vai bem, e nada vai bem mas você vai bem, que isso, não foi nada, inventaram que a gente tem obrigação de ser feliz, mas também não temos obrigação de sermos tristes, apenas sermos humanos.


LBB - 24/07/2006

4 de junho de 2008

Poesiando


Ontem passei a noite poesiando. Tive uma noite tranquila como há muito tempo não tinha. Espantosamente, não me lembro do sonho que sonhei, mas acordei descansada. Tem um cheiro doce e enjoativo que grudou no meu nariz. Perdi um compromisso, mas permaneço tranquila.

Demoramos para nos dar conta da realidade. Se o mundo é feito de pessoas, questiono o que as pessoas estão fazendo com o mundo. O que é mais importante na vida? As pessoas. Nada pode ser mais importante do que isso. Porque mesmo sendo o ser humano esse balaio de virtudes e defeitos, ainda assim nos apaixonamos, nos enredamos em amizades, choramos de saudade e de morte.

Vê? Mesmo sendo terríveis, as pessoas amam umas às outras. Odiar é fácil. O ódio é gratuito, mas o amor cobra muito caro sua estada.

Achamos que o ser humano é belo, que pode ser bom. Nos surpreendemos com as criações de nossos irmãos, e passamos a acreditar na possibilidade de uma vida digna.

E vem então a arte pra nos dizer que o impossível não existe.

Você não se importa. Por que justo você? Recebo tantas flores, mas de você não me chega sequer um perfume vulgar. Te ignoro. Te detesto. A brincadeira perdeu a graça e tornou-se um fardo.

Que saiam belas palavras do meu caos interno, a poesia compensa tanta dor?

Muitos anos depois, apenas quando já não dói mais.

1 de junho de 2008


Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de mudar
E pode aparecer onde ninguém ousaria supor

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha do que duvidar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?

Não vá pensando que determinou
Sobre o que só o amor pode saber
Só porque disse que não me quer
Não quer dizer que não vá querer
Pois tudo o que se sabe do amor
É que ele gosta muito de se dar
E pode aparecer onde ninguém ousaria se pôr

Só porque disse que de mim não pode gostar
Não quer dizer que não tenha o que considerar
Pensando bem, pode mesmo
Chegar a se arrepender
E pode ser então que seja tarde demais
Vai saber?


de Adriana Calcanhoto

22 de maio de 2008

A Política do Menos-Filmes


A Política do Menos-Filmes


Quanto menos filmes melhor. Essa parece ser a política instituída nos parcos festivais de cinema de Goiânia. "Menos é mais", como dita a moda dos novos-filmes que têm sido realizados com "menos é mais" orçamentos. Talvez seja aos recursos financeiros, e não aos recursos dramáticos, que se refere esse tão utilizado nouveau jargón.

Levando em consideração que a cada ano a produção de filmes em Goiás só aumenta, seria de se esperar que aumentassem também a quantidade de filmes que são exibidos nas mostras goianas. Entretanto, esse não parece ser o caso.

Em 2007, o Festival Goiânia Mostra Curtas exibiu 20 produções goianas, bem como em 2008. Fortuitamente, o tempo de exibição aumentou em 7 minutos: um curta (ou dois ou três) a mais em exibição.
Sobre o FICA “não há o que se dizer” tendo em vista que nos últimos anos a cota mínima dos filmes locais tem sido a cota máxima do júri de seleção. Já que eles têm que premiar 02 curtas goianos, é preciso disfarçar e colocar 04, senão não tem competição. Certo?

Aos que não visitaram novamente a página do Festival Ambiental de Goiás, houveram alterações na grade de programação. Filmes antes colocados como média foram remanejados para a metragem de curtas, que aumentos de três para seis obras. Rumores sugerem que a discussão da lista da AGCV provocou a alteração.
E por falar em FICA, a já apelidada Mostra Paralela da Associação Brasileira de Documentaristas de Goiás (ABD/GO), que acontece simultaneamente à programação do FICA, neste ano vai exibir um tempo menor de filmes e um número menor de obras. Em 2007, de acordo com a lista oficial de selecionados, foram exibidas 22 obras, totalizando 389 minutos de projeção. Este ano serão exibidos 14 filmes, num total de 372 minutos. A diferença de 17 minutos aparenta ser pequena, mas quando se fala em uma produção cuja maioria dos produtos são curtas, pode-se pensar aí em alguns curtas a menos.

Ao menos a curadoria da ABD/GO nas duas últimas edições tem sido feita por pessoas de fora de Goiás, o que sugere uma busca por maior legitimidade nas seleções dos filmes. Um problema desse tipo de curadoria é a falta de sensibilidade para avaliar uma região e um possível olhar “antropológico” e “afetado” sobre as obras goianas. E ainda, pensando em como nossa formação cultural é considerada defasada, até por nós mesmos, legitimamos nossa incapacidade de sermos honestos com nós mesmos, e continuaremos temendo pela antiga política do “pacto da mediocridade”.

A situação do FestCine Goiânia pode ser vista como uma exceção com relação aos outros festivais de cinema promovidos no Estado. Em 2007, foram exibidas 84 produções goianas, contabilizando aproximadamente 10 horas e 43 minutos de exibição. Só de filmes universitários foram 50 obras, metade do tempo total de projeção. A Mostra Caseira exibiu 14 filmes em 48 minutos, e a Mostra Goiana os habituais 12 curtas (152 minutos), que em 2006 totalizaram 171 minutos. O grande número de horas de exibição deve-se também à exibição dos filmes realizados com o prêmio-estímulo, ao curta convidado e aos filmes realizados com o Edital de Roteiros do Festival, que em 2007 exibiu 05 curtas ao longo de 93 minutos.

A política do menos-filmes ainda engatinha em Goiás. Esperamos que este processo retroceda e consiga encontrar alternativas em que se exibam o maior número de filmes, dando ao público a oportunidade de conhecer as diferentes obras que têm sido feitas por aqui, e repassando a eles o direito de julgamento sobre a competência ou incompetência dos diretores sobre seus filmes.

Podemos citar 02 bons exemplos a ser seguidos em Goiás. O FestCine Amazônia de 2007 exibiu todos os filmes que foram enviados para o evento. A seleção foi feita, sim, mas para incluir determinadas obras na Mostra Competitiva. Os não-selecionados não deixaram de ser exibidos, apenas não competiram. Um grande exemplo de “vontade de projeção”.

A 8ª Mostra de Filmes de Taguatinga (DF) também segue proposta semelhante, conforme está explicitado no regulamento de inscrição do festival: “Se o número de produções inscritas ultrapassar os 840 minutos de exibição será constituída uma comissão de seleção para definir quais filmes participarão do evento. Os filmes selecionados serão oficialmente comunicados”.

Podemos e devemos questionar a qualidade dos filmes que nós produzimos. Entretanto, para que a discussão possa acontecer é preciso que os filmes sejam projetados, vistos, passados, exibidos. Um filme que não é visto não existe.

Por Lígia Benevides
Jornalista, produtora cultural e fazedora de filmes