6 de junho de 2009

JP Simões - 1970



Conheci o trabalho do JP Simões através de uma banda na qual ele era o vocalista e compositor, a Belle Chase Hotel. Quando perdi meu laptop, perdi também os discos que tinha dessa banda, e nunca mais consegui baixar. Esses dias, numa festa na casa de um amigo, vi em seu iPod esse álbum do JP Simões, intitulado 1970. Foi um redemoinho de lembranças, boas e ruins, que as músicas me trouxeram ao ouvi-las novamente depois de tanto tempo. Assim que puder, vou pintar na casa desse amigo e resgatar algumas das coisas que passei pra ele. Compartilhar é sempre bom, não é mesmo? Viva o back up compartilhado!

E por falar em compartilhar, encontrei esse link no blog http://caixinhademusicas.blogspot.com. É bem legal, vale a pena fuçar por lá.

Acho esse disco a 8ª maravilha do mundo. Minhas preferidas são: "Fábula Bêbada", "O Vestido Vermelho", "Inquietação" e "Lili e o Americano".

E, se alguém encontrar os discos do Belle Chase Hotel, por favor, me avisem!!
=D

4 de junho de 2009

Link para vídeos interessantes - clique aqui

O da Disney foi o que de longe mais me impressionou!

movimento

Sobre a importância do som no cinema;
Sobre o que eu penso disso tudo;
Sobre belas coincidências;

Parte 1: O curta-metragem
C'était un rendez-vous
, de Claude Lelouch (1976)*



"Leia a história abaixo, deixe de lado a crítica moral e aproveite este extraordinário filme. Em agosto de 1978, o cineasta francês Claude Lelouch montou uma camera giroscopicamente estabilizada na frente de uma Ferrari 275 GTB e convidou um amigo, piloto profissional de Formula 1, para fazer um trajeto no coração de Paris à maior velocidade que ele pudesse. A hora seria logo que o dia clareasse, o filme só dava para 10 minutos e o trajeto era de Porte Dauphine, através do Louvre até a basílica de Sacre Coeur.
Lelouch não conseguiu permissão para interditar nenhuma rua no trajeto.
O piloto completou o circuito em 9 minutos, chegando a 324 km por hora em certos momentos. O filme mostra ele furando sinais vermelhos, quase atropelando pedestres e entrando em ruas de mão unica na contra-mão.
Quando mostrou o filme em publico pela primeira vez, Lelouch foi preso. Ele nunca revelou o nome do piloto e o filme foi proibido, passando a circular só no underground. Se você não viu ainda o clássico, prenda a respiração e clique no link abaixo. Se você já viu, veja de novo, vale a pena.
Ligue o som e curta".


*O vídeo original foi retirado do ar, e não consegui encontrar a versão original completa gratuita. Esse link leva a um trecho de 2:06 do filme original. O filme foi restaurado em alta definição e está à venda por 14.99 pounds no site da Spirit Level Films. (Fev/2013)
Parte 2: O videoclip

Open Your Eyes - Snow Patrol
All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you
My bones ache, my skin feels cold
And I'm getting so tired and so old

The anger swells in my guts
And I won't feel these slices and cuts
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes [x4]

Get up, get out, get away from these liars
´Cause they don't get your soul or your fire
Take my hand, knot your fingers through mine
And we'll walk from this dark room for the last time

Every minute from this minute now
We can do what we like anywhere
I want so much to open your eyes
´Cause I need you to look into mine

Tell me that you'll open your eyes [x8]

All this feels strange and untrue
And I won't waste a minute without you



Parte 3: Comentário

Você diria que é o mesmo filme, ou que possuem o mesmo significado? A distinção no plano sonoro transforma todo o sentido do objeto fílmico e da sua narrativa.

Daria um bom parágrafo a feitura do filme quanto ao plano visual, como a câmera foi colocada no carro e de que forma ficou presa.

Sobre o plano sonoro captado, me pergunto sobre a posição do microfone para captar o barulho do motor da forma mais intensa possível. Uma curiosidade interessante é que o barulho de motor não é o do carro que vemos correr, segundo uma pesquisa feita pelo amigo Januário.
O barulho que ouvimos é de uma Ferrari que pertence, inclusive, ao diretor. O carro em movimento é uma Mercedes. 

Aqui dá pra ver os dois vídeos juntos.


Parte 4: Entrevista com Lelouch



Uau!!

3 de junho de 2009

[do prazer e da dor]

Jenni Tapanila
SENTIR PRAZER. A FOLHA BRANCA DO COMPUTADOR, NA VERDADE, NÃO EXISTE. ASSIM TAMBÉM NÃO EXISTEM OS MEUS PENSAMENTOS. A QUAL PROCESSO DE ENLOUQUECIMENTO DEVO RECORRER PARA RESGATAR AS MEMÓRIAS ESQUECIDAS? MEUS PARÂMETROS DE PERTURBAÇÃO MENTAL JÁ NÃO ENGLOBAM TODA MINHA LOUCURA, APENAS PERMEIAM VARIADAS ESSÊNCIAS E CONJUNTURAS. QUANDO SE TRATA DE MIM, GERALMENTE ME PERCO. QUAL É O SENTIDO DE ACACHAPAR-ME, EMBEBIDA EM ÁLCOOL COMO UM FETO, SE NÃO DISTINGO MAIS, DENTRE AS FILOSOFIAS, AQUELA QUE ME CORRESPONDE NO LIMITE LONGITUDINAL DA TERRA?

O QUE ME ALIVIA É SABER QUE SEMPRE, SEMPRE, EXISTIRÁ O TEATRO DA MAIS OBSCENA ESPONTANEIDADE. É NELA QUE A VERDADE CONFIA SUA ESTADA.

TROPEÇO PELO CAMINHO ÀS AVESSAS. ME ENCAMINHO PELAS PARREIRAS, CHUPO AS UVAS. ENTONTEÇO-ME DE LUXÚRIA MASTURBATÓRIA. AGORA É MINHA PRÓPRIA CABEÇA QUE GIRA, ENQUANTO MEU PEDESTAL SE DEPENDURA LIGEIRO SOBRE MEUS OMBROS MAGROS E REDONDOS. CARNE DE PESCOÇO PARA AQUELES QUE APRECIAM O BEM-COMER.

SENTIR DOR. UM PEDAÇO INACABADO DE UMA ALEGRIA MAL CONDUZIDA. DA EUFORIA PARA A DECEPÇÃO É PEQUENO O ESPAÇO. QUANDO ME DOU CONTA DO TRATO QUE RECEBO, ME VEM À CABEÇA O TRATO QUE DEVO. SE A VIDA ME PERMITE, VOU AFINAR AS CORDAS DO MEU PENSAMENTO E SUBMERGIR EM ALGUM OCEANO QUE ME AFOGUE.


Lígia B.B.



TatuOAdor

Jenni Tapanila

Pobre poeta da gota
Tateia a rota pelo atalho
Qualquer coisa
Um pedaço de um achado
Adubo das idéias
Vaso para plantar a muda
Calada, pálida
e rouca muda
Que nasce e renasce através
do império da morte
se é preciso ver: óleo
se é preciso ouvir: mel
se, antes, é preciso falar: calabouço
se, depois, toco: couro
claro
que sinto a dor
meu olho é tato: dói
minha boca é tato: de lambuja
lambreco a rua
com a baba dessa língua furada.
É chuva.
Sinto o giz seco na mão
A pele é dor
derme e tatuagem
Rugas de amor não saem nunca
Rusgas de personagens
Apreciam a falta de tato
Calabouço da linguagem
Presa fácil pro desgosto
Quando toco sinto torto
Sinto tosco
Sintootodo
Sinto tanto
Sinto muito
E eu
Caio esbarro sangro morro
Aperto choque bambo escorro
Corto dedos pele choro
Quente frio mole morno
Afio pêlo tesouras moldes
Cachos lisos duros moles
Desafio à parte
Conduzindo as sensações até o portão ao lado
Traduzindo o código do meta ao tátil
Celebrando escamas pêlos poros
De novo
Se eu tiver que cantar, eu oro
Pra olhar, eu óleo
Pra dormir, me enforco
Fico roxo azul e verde
E morro.
A vida é ardida.

Lígia BB

À noite é sempre mais difícil

Quando chega a noite eu sempre páro pra refletir sobre o dia, sobre o que eu fiz ou o que eu deixei de fazer. Também penso no dia de amanhã, nas próximas realizações. Confiro a agenda, rabisco alguma coisas. Então, depois que tudo acaba, eu me lembro. À noite é sempre mais difícil. Todos se calam, a música cessa, os pássaros não cantam mais nenhuma beleza. As cigarras e os grilos sussurram apenas para nos lembrar que a noite é feita de silêncio e breu. O escuro e o silêncio. Uma certa solidão adentra junto com a brisa da noite, com cheiro de frio e de passado. Então, eu me lembro de tudo o que gostaria tanto de esquecer. Me torno uma idealista: esqueço tudo de ruim que houve, começo a imaginar um passado que não existiu, com pessoas que não são reais. São ideais, como minha lembrança. Uma mancha que não vai sair. Eu sempre vou lembrar disso. Mas eu antes estava bem, estava feliz e tranquila. Agora, não. À noite é a mais difícil das horas. É a hora em que leio poesia ou filosofia, então eu repenso tudo. Tento, agora que percebi, não idealizar este passado morto. Mas penso milhares de formas de não sofrer sozinha. Mas que indiferença que faz? O ridículo de não entender, de ser quem você é e saber que não existe mudança, existe transformação, existe alquimia, existe a necessidade de fazer diferente. Eu ouço tudo aquilo que vai esvaziar esse sopro de angústia que está dentro de mim. Falta pouco. Falta muito pouco.

Esta imagem é uma fotografia de Janni Tapanila (http://suzi9mm.com/index.php), intitulada Cut-II (sem data), que conheci devido aos estudos sobre arte corporal da minha querida amiga Badan.

30 de maio de 2009

The End


Estou tentando não desistir, não desacreditar. Me pergunto qual a minha luta, qual será o meu papel neste mundo. Talvez a felicidade não exista mesmo, como tanto quer insistir um outrora amigo meu. Quando estou "feliz", ou tranquila, serena e em paz, minha única preocupação é continuar nesse estágio. Fico mais frívola, menos preocupada com "coisas importantes". Esqueço da infelicidade alheia e me concentro na minha felicidade.

Mas, se não contramão disso, encontro-me triste, ou desanimada, ou desesperançada, começo a pensar em quantas coisas estão erradas neste mundo, e como tudo é tão fora de controle, fora de lógica. Toneladas de comida desperdiçadas apodrecendo e milhares de pessoas morrendo de fome. Um monte de gente se matando e outras tentando (sobre)viver a cânceres e outras doenças mais. Pessoas andam de bicicleta e outras compram carros. Famílias se separam. Lágrimas correm e sorrisos se abrem. Uns rezam, outros maldizem a vida.

E eu aqui. Fazendo da minha vida o próprio relicário. Às vezes achamos que estamos entrando em um caminho cujo único trajeto possível é a felicidade. A gente se engana e acha bom. A gente se ilude e acha bom.

Eu devia estudar, mas não consigo me concentrar. Ouço todas as músicas preferidas que se encaixam no meu estado de humor. Eu quero esquecer tudo o que me faz mal, quero perdoar todos os que me prejudicaram, quero também perdoar a mim mesma, quero acreditar em Deus, quero voltar a ter esperança, quero ver o meu pai, quero conhecer as minhas sobrinhas, quero filmar a minha avó, quero virar gente grande, quero ser poeta do cotidiano, quero fazer mais um milhão de poucos e bons amigos, quero saúde pra dar, emprestar e partilhar.

Quero ver poesia de novo na minha vida, pulsar como já pulsei; ainda não esgotei com a poesia e nem com a vida. Se eu tenho um motivo de existir, que eu o descubra. Que eu o descubra e ele faça com que eu me descubra, que eu recupera minha Força e que a Sacerdotisa volte seus olhos para mim e me ajude e me encontrar de novo.

Quero tatuar amor na minha alma e não cometer os mesmos erros de novo. Quero voltar a ser poeta e ter paciência e diligência para meditar, estudar e me cuidar.

Se eu for melhor pra mim, eu vou ser melhor pro mundo. E é esse o meu fim.

26 de maio de 2009

[enjôo]


Eu não tenho sentido nada

Apenas um pouco de

Dor de cabeça

Em sua envergadura coqueal, casual


Eu não tenho sentido muito

Apenas digo qu’eu sinto muito por você


E quando eu me tornar

A minha cura

e cessar estes males


Vou voltar a cantar no chuveiro

Dançando um blues

Pra entrar no seu ritmo.


[Lígia BB]

[poema da exaustão]

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qualquer ponto em movimento
qualquer assento pra servir
de consolo para a minha indecisão
descobri que é fácil perder
a única razão que se tem
quando não há razão nem espaço
onde me caiba
a cada passo lento que dei
pra ficar mais perto do desejo
meu rastro não permaneceu
e eu estou sem estórias pra contar
a sua razão não é matemática
mas a sua indiferença brilha
bem aqui ela ilumina
e lá ali ela sombreia
agora, eu: teimosia, cama, quarto,
sala e cozinha
em qualquer canto que se vive essa vida
eu me arranjo: vou me requentar
pra dormir com você
o nosso tempo não é
além do tempo da madrugada
um abraço fatigado
seu beijo dado é quase o seu beijo roubado
nesse barco azulado
você faz a indiferença

[Lígia BB]